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APAE Batatais 1970 – 2010

40 anos de história construindo cidadania

Não existem maneiras de falar da história da APAE Batatais sem falar das pessoas que tornaram realidade o sonho de milhares de pessoas ao longo dos anos. As iniciativas do casal Maria Cinto e Osmani César Campez no início da década de 70, modificaram não só a história local, como também por algumas vezes a história nacional. Graças a eles, hoje a APAE tem muita história pra contar.

No final de 1960, Maria, que era professora especializada em deficiência auditiva, viajava todos os dias de Batatais a Ribeirão Preto, pois lecionava para uma sala de alunos com deficiência auditiva da Escola Cônego Barros. Reconhecida nos meios educacionais pelo trabalho que realizava na vizinha cidade, lhe foi confiada uma criança do Instituto Agrícola de Menores (Antiga FEBEM), com deficiência auditiva, para que a mesma frequentasse a escola ribeiraopretana. Pouco tempo depois foram surgindo outros alunos e a professora assumia, sem nenhuma remuneração, o compromisso de transportá-los todos os dias.

Na mesma época, seu marido se tornou presidente do CIPS – Consórcio Intermunicipal de Promoção Social das prefeituras de Batatais, Altinópolis, Brodowski, Santo Antônio da Alegria e Jardinópolis. O CIPS, além das prefeituras consorciadas, era ligado à Secretaria de Promoção Social do Estado de São Paulo, tendo à sua frente o deputado estadual José Felício Castelano. Em Batatais a mesma pasta era secretariada pela assistente social Mariângela Marcolini Gomes.

Tempos depois a professora Maria Cinto passou a trabalhar na APAE de Ribeirão Preto, e assumiu o compromisso diário de levar em seu carro as crianças com deficiência que lá estudavam. Nascia, assim, a necessidade de fundar uma APAE na cidade de Batatais.

Quando o então secretário da Promoção Social veio a Batatais para a inauguração do Centro Comunitário do Riachuelo, a professora Maria fez a solicitação da criação da APAE Batatais, para que não só os alunos da cidade pudessem receber o atendimento, mas também alunos das cidades vizinhas consorciadas.

Em 5 de julho de 1969 a Secretaria da Promoção Social do Estado encaminhou uma correspondência à presidência do CIPS, solicitando a criação de uma unidade da APAE na cidade. Diante da notícia, Osmani Campez, juntamente com sua esposa, convocou uma reunião com representantes dos diversos segmentos da sociedade. Na ocasião ficou programada para o dia 10 de julho de 1970, a assembléia que marcaria a criação da APAE Batatais.

Na data marcada aconteceu a reunião que foi conduzida pelo presidente do CIPS, que na oportunidade esclareceu as finalidades de uma Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. A assistente social Mariângela Marcolini, por sua vez, expôs os motivos que levaram o Consórcio a pleitear a instalação de uma APAE em Batatais e, por fim, Maria Campez falou sobre a estrutura e significado da instituição, bem como sobre quem era a “pessoa com deficiência”.

  Já interados sobre a importância e objetivos da APAE, partiram para a composição daquela que viria a ser a primeira diretoria (ver quadro). Também foi criado um Comitê Feminino que ficaria responsável pela realização trabalhos em prol da associação, constituído por: Viviana Tondela, Maria Zaparolli, Carmem Sílvia Lima Nogueira, Yale Dedemo, Zulmira Girardi Nazar, Shirley Parada Baldochi, Cleusa Maria Coutinho e Jaci Ribeiro Pizza. Nascia assim a APAE Batatais.

 

Grupo Escolar Washington Luis foi a primeira sede da APAE Batatais

 

Foi no porão do antigo Grupo Escolar Washington Luís, que a APAE Batatais iniciou suas atividades sob a presidência de Áureo Vieira Barbosa. Em pouco tempo a associação já havia contratado duas professoras especializadas e um servente, para dar apoio às duas classes em funcionamento, com um total de 22 alunos. No início de 1972 a APAE aumentou seu raio de atuação na região. Além de assistir às crianças de Brodowski, a associação passou a receber também crianças da cidade de Altinópolis.

Desde a instalação na sede da escola, já se almejava um local próprio para a APAE Batatais, o que não seria possível sem que a entidade estivesse inscrita na Secretaria de Promoção Social. Uma possibilidade surgiu quando o vereador Nelson Covas apresentou um projeto para que a prefeitura doasse um terreno para a instituição. Alguns meses depois, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade a cessão do mesmo, desde que isso não contrariasse o plano diretor da cidade.

Em 1973 o quadro técnico da APAE passou por uma importante modificação: no dia 1º de abril, Maria Cinto Campez passou a ocupar o cargo de diretora técnica, período em que a entidade já assistia 40 crianças.

Em meados de 1974, quando a APAE Batatais passou a ser considerada Entidade de Utilidade Pública e estava devidamente inscrita no Conselho Estadual de Auxílios e Subvenções do Estado, tornou-se ainda mais evidente e necessário o trabalho para a instalação do prédio próprio. Uma das sugestões recomendava a mudança das instalações da APAE do Grupo Escolar Washington Luís, para o antigo prédio da Escola Profissional, que oferecia melhores condições ao atendimento dos alunos, conforme exigências do Serviço Nacional de Promoção Social (SNPS).

No final de 1975 a APAE Batatais contava com 63 crianças e 5 salas de aulas. Para continuar oferecendo atendimentos de qualidade, foi necessária a contratação de mais profissionais especializados como professores, psicóloga, assistente social, psicoterapeuta e médico. Era fato, a APAE Batatais crescia a cada ano.

 

Praça Barão do Rio Branco, a segunda sede da APAE Batatais

O ano de 1977 foi um ano importante para a APAE Batatais por dois motivos: primeiro, porque a associação se instalou em novo endereço, localizado à Praça Barão do Rio Branco, nos fundos da antiga escola do Sesi; segundo porque o prefeito na época, Antônio Claret Dal Pícolo, demonstrou interesse em transferir o terreno da Cozinha dos Pobres ‘Apóstolo Paulo’ para a APAE.

Em 1979 a APAE Batatais começava a trilhar um novo caminho, a construção de sua sede própria. Por meio da Lei nº 1.174, a prefeitura doou o terreno adjacente à Caixa d’ Água – local onde anteriormente seria construído o Hospital Bezerra de Menezes – para a edificação das novas instalações da APAE Batatais. O terreno possuía uma área de 8.972 m2, espaço mais que suficiente para começar a escrever uma nova história.

O sonho - o ano de 1980 foi crucial para o início da construção do novo prédio. Os engenheiros Carlos Antônio Landi e Eurípedes Roosevelt Stoppa, da Construtora Batatais, juntamente com o engenheiro Mauro Tomazella, se prontificaram a trabalhar gratuitamente no projeto de construção da APAE. Depois de diversas consultas à diretoria, reuniões com a Profª. Maria Campez e visitas às APAEs, os engenheiros chegaram a um projeto compatível com as necessidades da instituição.

Nessa época, as subvenções representavam a importância de CR$ 80.850,00, o que acarretava um déficit mensal de CR$ 5.200,00, valor coberto pelos sócios. Com o objetivo de levantar fundos, foram realizadas diversas campanhas como: bazares, jogos de futebol e campanhas de aumento de sócios, todas apoiadas por parceiros. As iniciativas eram fundamentais, mas não suficientes. Ações de maiores proporções precisavam ser articuladas. Assim, a então diretora técnica da APAE, Carmen Luiza Cestari, apresentou o slogan da Campanha da Construção “Só o amor constrói, portanto, vamos construir!”.

O resultado dos esforços viria pouco tempo depois. No dia 13 de março de 1981, foi lançada a Pedra Fundamental da APAE. Compareceram a esse ato o prefeito municipal, Dr. Antônio Claret Dal Pícolo; o vice-prefeito, César Leonel Zaneti; o presidente da Câmara Municipal, vereador Osmani César Campez; o presidente da Associação Comercial e Industrial, José Marcílio Krempel; os engenheiros Carlos Augusto Landi e Eurípedes Stoppa; membros da diretoria; delegações das APAEs da região; professores, funcionários e alunos da associação.

Era preciso intensificar as campanhas de captação de recursos para a compra de materiais de construção. Por uma questão de economia, os engenheiros sugeriram que fossem construídos dois blocos simultaneamente, mas a falta de recursos permitiu o início da construção de apenas um dos blocos. No mês de agosto de 1982, os recursos obtidos com a promoção de eventos possibilitaram o início das obras.                       

Em 1984 a construção prosseguia obedecendo sempre as necessidades específicas dos usuários. As instalações hidráulicas e elétricas obedeciam fielmente as orientações de médicos, professores, técnicos e demais especialistas. Em outubro do mesmo ano já existiam dois blocos cobertos, praticamente rebocados, com 90% do piso colocado e a parte hidráulica concluída. No ano de 1986, embora a obra ainda não estivesse concluída, já foi possível o início da mudança.

Havia muito que fazer, pois o projeto previa outras edificações, dentre as quais, um bloco de ensino, outro para a administração, além de quadra de esportes, vestiário, piscina e oficina profissionalizante. As instalações já concluídas compreendiam os dois módulos previstos no projeto, além da casa do zelador, o que já era suficiente para acomodar o mesmo número de crianças atendidas na antiga sede.

           

Uma APAE à frente do seu tempo

No final dos anos 80, a APAE Batatais se configurava entre as melhores APAEs do Estado de São Paulo, não apenas em termos de instalações e equipamentos, como também nos atendimentos. A década de 90 foi marcada pelos 25 anos de existência da APAE Batatais, período em que a instituição desfrutou de seu alto conceito e reconhecimento no âmbito da Federação das APAEs e junto aos seus parceiros e comunidade.

Frente à necessidade de novos espaços que possibilitassem a expansão das atividades desenvolvidas, a APAE Batatais não mediu esforços para a obtenção de novas áreas. Assim, em setembro de 1992, o então prefeito Salim Jorge Mansur aprovou definitivamente o aforamento para a instituição de um terreno de 3.660m2, destinado à instalação do Centro de Convivência e da Oficina Profissionalizante. A ampliação do local contou com o voluntariado do Engº. Antônio Jácomo Felipucci e dos arquitetos Luis Siena Medeiros e Maria Cecília Baldochi Medeiros.

O pioneirismo de Batatais ficou evidenciado durante a participação da entidade em diversos eventos, como o I Simpósio de Prevenção, realizado em Ribeirão Preto. O evento abordou o “Exame do Pezinho”, programa que já era realizado na época pela APAE Batatais, e que despertou grande interesse nas entidades da região. Outra iniciativa da APAE que teve importante destaque nesse período, foi a realização do Censo do Deficiente. A pesquisa mostrou a existência de mais de 30 crianças que necessitavam de atendimento especializado.

Através de um censo específico da pessoa com deficiência ficou comprovado que entre 41.551 pessoas entrevistadas, 391, ou seja 0,94% da população, apresentou alguma deficiência. Esses números foram compartilhados com as APAEs da região e transmitidos para a Federação Nacional.

Mediante todas as ações desenvolvidas, a APAE Batatais se tornava destaque nos serviços que prestava à comunidade. Em 1993 a APAE sediou a primeira reunião da Federação Estadual das APAEs, da qual participaram 40 entidades. Durante a participação no 1º Seminário Integrado sobre Deficiência Mental, promovido pelo Escritório Regional de Saúde de Ribeirão Preto, em 1994, a entidade foi referenciada e citada como padrão para as demais participantes.

Um dos motivos que levaram a APAE Batatais a tornar-se referência no seu segmento foi o constante investimento no aperfeiçoamento de seus profissionais. Ao longo dos anos diversos cursos foram promovidos pela Secretaria de Educação do Estado nas cidades de Batatais, Ribeirão Preto e São Paulo.

Como fruto de muito empenho, a cada dia novas conquistas surgiram. E hoje, a APAE Batatais, é um orgulho para a cidade e um modelo para o país.